A Mesa da Cozinha, de Paul Cezanne
Na mesa da cozinha as coisas acontecem. Logo cedo o café da manhã, e durante todo o dia mil funções tem essa mesa. Alí acontecem acêrtos, conversas ao pé do ouvido, por algum tempo se transforma em escrivaninha para lições de casa, para escrever cartas, para conferir contas e fazer listas, agendas. Também na mesa da cozinha se inventa moda, se cria, desenha, costura, pinta e borda. Almoço corrido da semana, café da tarde com bolo fresquinho, a mesa é reunião. E nela se encontra a família, chegam os amigos, resmungam os filhos e também pulam de alegria. Na mesa da cozinha não tem apenas o alimento para o corpo, mas o alimento para a alma.
Mesa de madeira, pintada, de ferro, de vidro, de laminado, velha, nova, reformada, grande, pequena, com toalha, sem toalha, com cadeiras ou com bancos, quadrada, redonda, retangular... não importa, cada uma delas tem a mesma função, é o centro da casa.
Cada mesa tem suas histórias, a mesa da cozinha traz boas lembranças ao mesmo tempo que continua criando belas histórias para serem lembradas. Eu, particularmente, sou fascinada por mesas nas cozinhas, talvez pelos bons momentos na infância na casa das avós e das tias, e na juventude com os amigos de madrugada fazendo um lanchinho, depois com os filhos na correria do dia-a-dia e também nas deliciosas conversas altas horas da noite. Para mim, uma mesa na cozinha é aconchêgo.